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A Mão e a Luva - Machado de Assis

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estudante, à Rua dos Inválidos. Estevão tinha-a visto, pela primeira vez, seis
meses antes, e desde logo sentiu-se preso por ela, "até à morte", disse ele ao
amigo, referindo-lhe o encontro, o que o fez sorrir de tão estirado prazo.
Qualquer que ele fosse, porém, o prazo fatal daquele cativeiro, a verdade é que
Estevão no mesmo ponto em que a viu logo a amou, como se ama pela primeira
vez na vida — amor um pouco estouvado e cego, mas sincero e puro. Amava-o
ela? Estevão dizia que sim, e devia crê-lo; alguns olhares ternos, meia dúzia de
apertos de mão significativos, embora a largos intervalos, davam a entender que
o coração de Guiomar — chamava-se Guiomar — não era surdo à paixão do
acadêmico. Mas, fora disso, nada mais, ou pouco mais.
O pouco mais foi uma flor, não colhida do pé em toda a original frescura, mas já
murcha e sem cheiro, e não dada, senão pedida.
— Faz-me um favor? disse um dia Estevão apontando para a flor que ela trazia
nos cabelos; esta flor está murcha, e, naturalmente, vai deitá-la fora ao
despentear-se; eu desejava que ma desse.
Guiomar, sorrindo, tirou a flor do cabelo, e deu-lha; Estevão recebeu-a com igual
contentamento ao que teria se lhe antecipassem o seu quinhão do Céu. Além da
flor, e para suprir as cartas, que não havia, nada mais obtivera Estevão durante
aqueles seis compridos meses, a não serem os tais olhares, que afinal são
olhares, e vão-se com os olhos donde vieram. Era aquilo amor, capricho,
passatempo ou que outra coisa era?
Naquela tarde, a tarde fatal, estando ambos a sós, o que era raro e difícil, disselhe
ele que em breve ia voltar para São Paulo, levando consigo a imagem dela, e
pedindo-lhe em câmbio, que uma vez ao menos lhe escrevesse. Guiomar franziu
a testa e fitou nele o seu magnífico par de olhos castanhos, com tanta irritação e
dignidade, que o pobre rapaz ficou atônito e perplexo. Imagina-se a angústia dele
diante do silêncio que reinou entre ambos por alguns segundos; o que se não
imagina é a dor que o prostrou, — a dor e o espanto, — quando ela, erguendo-se
da cadeira em que estava, lhe respondeu, saindo:
— Esqueça-se disso.
— Pois quanto a mim, — disse Luís Alves ouvindo pela terceira vez a narração de
tão cru desenlace; quanto a mim, obedecia-lhe pontualmente; esquecia-me disso
e ia curar-me em cima dos compêndios; direito romano e filosofia, não conheço
remédio melhor para tais achaques.
Estevão não ouvia as palavras do amigo; estava então assentado na cama, com